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:: Incerteza de Iris causa perplexidade entre aliados

Provocaram perplexidade no PMDB e PT os sinais dados pelo prefeito de Goiânia, Iris Rezende, de que pode abrir mão de disputar o governo do Estado. Aliados passaram o dia ontem tentando decifrar a declaração do prefeito no domingo, quando revelou que ainda estava indeciso sobre a candidatura, e avaliando os estragos que um possível recuo de Iris causaria ao grupo. As interpretações de pessoas próximas ao prefeito se dividiam ontem entre os que acreditam que ele buscou criar uma incerteza política entre os aliados para tentar forçar, via Palácio do Planalto, a formação de uma ampla aliança em Goiás e obter estrutura de campanha; e aqueles que viram nas declarações um desabafo de quem vive a incerteza quanto ao futuro político e tem sofrido pressões. Em discurso na festa em homenagem ao Dia do Gari, no domingo, o prefeito falou pela primeira vez publicamente sobre sua insegurança. “Essa madrugada acordei às 4 horas da manhã, num sobressalto, e me coloquei diante de Deus (para avaliar a candidatura). E, sinceramente, digo a vocês que não sei”, afirmou o peemedebista durante seu discurso, conforme antecipou a coluna Giro de ontem. Quase consenso entre os aliados é que Iris foi infeliz tanto na forma quanto no momento que escolheu para expor sua suposta insegurança, que fragiliza tanto o PMDB quanto o PT, que já havia fechado oficialmente o apoio ao peemedebista. “Uma declaração dele nesse momento não somou nada para o partido e nem para ele”, afirmou ontem em entrevista à CBN Goiânia o presidente estadual do PMDB, Adib Elias. Têm surgido há cerca de dez dias rumores de que Iris estaria indeciso sobre seu futuro político e ele chegou a expressar isso a pessoas próximas. Mas alguns aliados reclamam que ele expôs publicamente sua dúvida num momento especialmente delicado: dois dias após a festa de aniversário do senador Marconi Perillo (PSDB), que reuniu cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, em evento numa casa de shows em Aparecida de Goiânia. Dentro desse contexto, avaliam membros do PT e PMDB, a mensagem que Iris passou indiretamente foi de ter medo de enfrentar o tucano. “A incerteza do prefeito desmonta o partido no interior. Isso gerou insegurança no nosso pessoal e só serviu para encher a bola do PSDB”, lamentou um parlamentar peemedebista. Recado No entanto, é recorrente entre pessoas próximas a Iris a tese de que ele quis apenas passar um recado aos aliados. Espera, segundo essa análise, provocar uma mobilização de lideranças pedindo por sua candidatura, criando um quadro político favorável para deixar a Prefeitura. “Iris já foi longe demais em sua candidatura para recuar agora”, diz um interlocutor. Pretenderia também forçar o Palácio do Planalto a garantir uma boa estrutura de campanha, assim como espera que o ajude a selar uma aliança com os partidos da base do governador Alcides Rodrigues (PP) já no primeiro turno. Caso a base lulista se divida, Iris não contará com o engajamento total do presidente Lula em sua campanha. A falta de perspectiva de obter essa aliança preocupa o prefeito, que acha arriscado uma disputa com o grupo dividido. Mas Alcides dá sinais de que não pretende abrir mão de lançar candidato. Questionado pela imprensa ontem sobre a incerteza em torno da pré-candidatura de Iris, o governador foi seco: “Eu não tenho conversado sobre política com o senhor prefeito. Tenho conversado com os partidos que têm interesse em formar uma frente em Goiás.” Alguns auxiliares próximos a Iris afirmam, contudo, que sua declaração foi um desabafo sincero, sem cálculo político. “O prefeito passa por um momento delicado, com algumas pessoas pressionando para ele ser candidato e outras para ficar na Prefeitura, mas nem ele sabe qual decisão tomar. Ele quis aliviar a pressão”, diz um interlocutor. “A candidatura de Iris ainda não está descartada, apesar de ele estar claramente em dúvida. Mas isso não atrapalha o PMDB, o partido conta com outros nomes preparados para disputar o governo”, defende o deputado estadual Samuel Belchior (PMDB), que esteve ontem com o prefeito. Uma explicação corrente nos corredores do Paço Municipal para o súbito recuo do prefeito era de que estaria sendo pressionado principalmente pela família. Estariam preocupados com o desgaste que uma campanha que tende a ser acirrada pode gerar em Iris e nas pessoas mais próximas.

 

 
 
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