Escrito por Orcedino Júnior Sex, 03 de Fevereiro de 2012 13:12

A Síndrome da Fadiga Crônica é o segundo quadro confundido com preguiça, fingimento, histeria ou má-vontade (o primeiro é a Fibromialgia, da qual já falamos anteriormente, na Primeira Parte deste artigo).
A Síndrome da Fadiga Crônica, caracteriza-se por um estado de fadiga prolongada e debilidade, junto com vários sinais inespecíficos, como dores de cabeça, dores musculares e nas articulações, além de dificuldade de aprendizado, memória e concentração. Esta síndrome foi descrita por Van Der Werf, em 2002.
O primeiro sinal é de um cansaço constante e exagerado, aquela sensação de “falta de energia” intensa, sem que haja uma causa evidente para justificar tal quadro de abatimento. Também pode aparecer concomitantemente, alterações do sono, dores intestinais, dores vagas, depressões, dores de garganta e febre baixa. Por ser um Mal, que acomete o indivíduo por longo tempo (anos) e mal compreendido por outras pessoas e até por vários médicos e profissionais de saúde, paira no ar, a impressão de que a pessoa está simulando esta doença, por histeria ou má-vontade.
O cansaço extremo decorre da necessidade de aumentar o esforço para manter a mesma força muscular. A dor muscular, muito comum, reflete uma falta de energia para o funcionamento da musculatura e está relacionada com um mecanismo de defesa para proteger o músculo de eventuais lesões.
Um dos sintomas interessantes é a freqüente dor de garganta, acompanhada de crises de febre baixa, normalmente com aumento dos gânglios linfáticos sensíveis (ínguas) no pescoço.
Segundo a Associação da Fadiga Crônica e da Síndrome da Disfunção da Imunidade, cerca de 90% dos pacientes que tem fadiga crônica não foram diagnosticados nem tratados (Teitelbaum, 1999). A explicação talvez esteja no fato de os médicos não estarem devidamente informados sobre esse estado. O grupo de pesquisadores liderados por Teitelbaum pesquisou 8.100 profissionais de saúde nos Estados Unidos e descobriu que 77% deles achavam que suas informações sobre a doença eram insuficientes, desconhecendo procedimentos propedêuticos e tratamentos eficazes.
Felizmente, com o avanço das pesquisas e uma abertura maior das ciências, que modernamente privilegiam o “Ser”, através de uma abordagem multidisciplinar, tem se conseguido resultados satisfatórios na neutralização desta Síndrome. Hoje em dia, vários profissionais de saúde, com prática em Medicina Integral e Terapias Complementares, tem proporcionado ao indivíduo uma melhoria significativa na sua qualidade de vida, dotando-o de ferramentas pessoais no cultivo de sua própria integralização.
Enquanto há algum tempo a maioria dos portadores da síndrome da fadiga crônica era tratada como fingidores, ou simplesmente como preguiçosos incuráveis, atualmente eles já são vistos como pessoas deprimidas, sem iniciativas, e frequentemente submetidas a tratamentos psicoterápicos e psiquiátricos.
Sempre que um problema de comportamento se mostrar persistente em adultos e crianças, recomendamos procurar um profissional de saúde que tenha uma visão holística do ser humano e que, na avaliação, incluía sua situação pessoal, presente e passada, bem como a situação de seu entorno sócio-familiar. Ao exame físico bem feito, com bom senso e perspicácia, buscando compreender os sentimentos do paciente (adulto ou criança), segue-se um diagnóstico mais preciso e a partir daí, traça-se um tratamento que seja realmente valioso para o paciente.
Dr. Paulo César Batista Azerêdo, médico de clínica geral, Intramed - Medicina Integral e do Trabalho.
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