Escrito por Orcedino Júnior Ter, 01 de Novembro de 2011 09:41

A Federação Internacional de Futebol Associado – FIFA, é na verdade a senhora soberana da Copa da Mundo a se realizar no Brasil em 2014.
O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, virá ao Brasil, em novembro, para definir assuntos polêmicos da Lei Geral da Copa. Dois temas são conflitantes: a entidade quer a liberação da venda de bebidas alcoólicas no Mundial e não quer a comercialização de ingressos para estudantes (com descontos). A CBF e a FIFA tentam convencer o Governo a ser mais flexível e sinalizam retaliações caso não seja sancionada a lei, conforme o que desejam.
Tanto o uso de bebidas alcoólicas em estádios quanto a proibição de meia-entradas ferem leis estaduais e municipais, além do Estatuto do Torcedor. A FIFA se mostra irredutível quanto à mudança de posicionamento, sobretudo por ter cervejarias como principais patrocinadoras.
Irritada com a indefinição sobre os ingressos, a FIFA promete aumentar o valor do ingresso para driblar a questão da meia-entrada. O senhor Jérôme Valcke, deverá ir ao Congresso Nacional para expor seus planos aos deputados.
A FIFA tem a Copa do Mundo como um circo para ganhar muito dinheiro, grandes contratos de publicidade, ficando livre de impostos federais, estaduais e municipais, controle total sobre a transmissão de jogos e o uso dessas imagens. Tabelamento dos alimentos que serão vendidos durante as partidas, pois a definição da FIFA é que “o preço do alimento quem vai fixar é o organizador do evento” e não abre mão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
O povo brasileiro espera que a presidente Dilma Rousseff não ceda às exigências da FIFA, com referência à Lei Geral da Copa, em trâmite no Congresso Nacional, que define regras para o mundial em nosso país, como políticas de ingresso, distribuição de direitos de mídia e garantia dos patrocinadores. A FIFA quer autonomia total, como se não houvesse uma legislação nacional em vigor. Mas a Lei Geral da Copa, que será incorporada à legislação brasileira não pode submeter o Brasil à vontade da Federação Internacional, ferindo a nossa soberania. Ela está somente preocupada com a rentabilidade financeira da Copa.
Não podemos permitir que a legislação e a soberania do país sejam colocadas em segundo plano.
Lamentamos e nos frustramos, todos que, voluntaria e sacrificadamente, desenvolvem trabalhos de prevenção primária ao uso de drogas, centenas de associações e comunidades terapêuticas, pela possibilidade de aprovação no texto da Lei Geral da Copa, da venda nos estádios da droga mais nociva à população brasileira. Especialmente à juventude que está perdendo vidas nos acidentes automobilísticos causados pela ingestão de álcool. Veja bem como o interesse capitalista de gerar mais lucros se sobrepõe aos interesses da saúde coletiva.
Em 25 de abril de 2008, foi assinado um acordo pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira e o presidente do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais da Justiça, Marfan Vieira , proibindo a partir daquela data, a venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros, em competições organizadas pela CBF, objetivando prevenir a violência nos estádios.
Agora, a FIFA e a CBF, por contratos assinados com cervejarias, estão a exigir a venda, antes causadora de violência, em todos os estádios onde ocorrerão os jogos da Copa de 2014.
Então prezados amigos que me distinguem com suas qualificadas leituras, não tem sentido, não tem força moral e nenhum efeito produtivo as falsas campanhas que afirmam que bebida alcoólica não combina com direção.
O torcedor brasileiro em todo seu comportamento, é um apaixonado, muito se excedendo em suas comemorações ou desilusões com os resultados das partidas . Ganhando ou perdendo nos jogos da Copa, milhares de torcedores sairão embriagados dos estádios, assumindo a direção dos seus veículos, com alegria ou tristeza, partindo para as avenidas e praças em carreatas. Teremos, novamente, acidentes fatais ou com sequelas permanentes.
Sempre afirmamos que não há uma política do controle do uso do álcool em nosso país. A pressão para facilitar do uso da bebida alcoólica no interior dos estádios na próxima Copa do Mundo em 2014, confirma o nosso posicionamento.
A liberação do álcool nos estádios jamais deveria ser motivo de discussão. O único interesse dos organizadores é o comercial, para advogar a venda de bebidas nos jogos da Copa. Mantida a proibição resultará em mais segurança dentro dos estádios.
A Copa do Mundo, em 2014 no Brasil, poderá ser um marco maior e negativo para o nosso país, pois está sendo intensamente discutida por outros interesses que não são o da prática do futebol. Mas mesmo assim, ainda será uma manifestação de orgulho, sentimento patriótico, especialmente nas crianças, jovens e adolescentes. E ai eu não consigo entender. Como o pai, a esposa, a nora, filhos e netos vão para um plenário de milhares de pessoas, a maioria se embriagando e se tornando irresponsáveis em seus atos?
A Copa do Mundo, em outros tempos, foi o auge que identificava uma torcida pura, nacionalista, significando amor à pátria. Hoje não. A Copa do Mundo é, exclusivamente voltada para interesses financeiros e não muito claros, envolvendo no seu todo, quantias impossíveis de serem identificadas, inclusive com os gastos que dão margem a mais corrupção no Brasil, na construção de novos estádios e reforma dos atuais que sediarão os jogos.
O projeto "Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios", informa que o investimento deve girar em torno de 23 bilhões de reais. Segundo o Portal da Transparência do Governo Federal, serão gastos mais de 24 bilhões de reais. Estudo da Consultoria Legislativa do Senado, aponta que os gastos irão superar 60 bilhões de reais. Outros cálculos mostram que ao final da Copa, os gastos ultrapassarão no seu total 130 bilhões de reais. Reportagem do Jornal Folha de São Paulo mostrou que mais de 60% das obras de estádios feitas com parcerias público-privadas são bancadas com recursos estatais.
A confusão já está estabelecida. Com certeza teremos muitos escândalos em torno da Copa. Existe um identificado organismo chamado COL - Comitê Organizador Local da Copa, empresa de propriedade da CBF e de Ricardo Teixeira, segundo "congresso em foco - jornalismo para mudar", "os lucros do evento ficarão com essa instituição, que tem isenção fiscal de impostos, assim como a FIFA. " Segundo Teixeira, estes lucros do COL serão remetidos à CBF.
A escolha das sedes, construção dos estádios e agora nesse momento o ex-Ministro dos Esportes, Orlando Silva, sendo acusado e investigado sobre graves acusações contra ele, e no Rio de Janeiro, instaurado inquérito pela Polícia Federal, coordenado pelo delegado Vitor Poubel, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros, contra o presidente da CBF e seu irmão, nos antecipam que esta Copa caminha para ser a Copa de outras e grandes corrupções. Volto ao título desse artigo. PATRIOTISMO É AMOR À PÁTRIA E NÃO AMOR À COPA QUE É DA FIFA”.
Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, delegado de polícia aposentado, professor e Grão Mestre da Maçonaria Grande Oriente do Estado de Goiás –
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